A simpatia da cebola


Para certos alimentos não existe meio termo, ou a gente ama, ou a gente odeia. A cebola, apesar do sucesso na gastronomia do mundo todo é sem dúvida um desses casos. Eu mesma cresci dizendo “sem cebola, por favor”, aliás, não sei dizer quando passei a saboreá-la, o fato é que hoje, para surpresa da minha família e amigos que me conheceram no passado, eu a como até crua, como salada. Mas deixando o lado culinário da cebola, hoje falarei de seu poder medicinal, mais precisamente de sua eficácia contra a tosse.

Quando Adam tinha uns quatro, cinco meses de vida ele teve um forte resfriado e depois ficou aquela tosse chata. É tão duro escutar teu bebê tossindo a noite toda, sem conseguir dormir direito, a gente sem saber o que fazer, é uma sensação de impotência bastante dura. Já de madrugada, após algumas horas de angústia, lembrei-me de um “remédio” caseiro que minha mãe fazia e que havia aprendido com a minha avó, levantei-me e fui para a cozinha. Lembro-me que Habib ao ver-me cortando uma cebola perguntou – Você vai cozinhar a essa hora? – Não, respondi, vou fazer uma simpatia, a simpatia da cebola. Ainda visualizo o olhar de incredulidade do meu marido nesse momento, simpatias e xaropadas definitivamente não passam pela cabeça de um jovem europeu, filho de pai médico e mãe enfermeira, rs. Mas, para acalmá-lo comecei a mostrar os poderes medicinais comprovados desse vegetal que tanto agrada ao paladar dos alemães.

A cebola, assim como o alho, contém óleo essencial de enxofre que participa em diversas combinações orgânicas, em especial nas sulfamidas que como a penicilina constitui um meio eficaz de combater as enfermidades infecciosas. Por isso ela possui alto poder desinfetante, anti-inflamatório e bactericida. Muitas vezes a tosse, resultante de um resfriado, é resultado do excesso de secreção depositada nas vias respiratórias, quanto mais espessas, mais dificulta o processo respiratório. A grande ingestão de água e limpeza das narinas com soro fisiológico costuma evitar a solidificação dessa secreção, porém durante a noite passamos muitas horas sem a ingestão de líquido, resultando em um acumulo de secreção, provocando a tosse. É nesse momento que a cebola tem seu efeito, ao respirarmos os gases produzidos por ela, estamos de certa forma hidratando o sistema respiratório com um poderoso bactericida enquanto dormimos .

Existem muito mais estudos que utilizam a cebola no tratamento de diversas enfermidades, reumatismo, osteoporose, por ser rica em quercetina é um poderoso antioxidante sendo eficiente no combate de radicais livres, no tratamento de tumores, como o câncer de próstata, e por ter flavonoides protege no organismo o teor de vitamina e previne a formação de úlceras.

Mas voltando para a simpatia, como a fazemos? Basta cortar uma cebola pela metade (quanto mais ardida, melhor), colocá-la dentro de uma fralda de pano ou outro tecido que não tenha os fios demasiado apertados, e colocá-la ao lado do travesseiro da criança.
Na semana passada acordamos na madrugada com Adam tossindo muito, dessa vez seu papai, que já é fã do processo, me ajudou a prepará-lo. Em menos de 20 minutos a tosse foi diminuindo e uma hora depois ele dormia tranquilamente.

Gostaria de salientar que esse remédio caseiro não substitui a ida da criança ao médico, afinal, muitas podem ser as causas de uma tosse. Todas as vezes que usamos desse recurso foi após um tratamento de um resfriado, ou alguma infecção, cujo acompanhamento médico sempre esteve presente. Desde que “ressuscitei” o método tenho indicado a conhecidos e amigos, e claro, para ter uma maior credibilidade parto do olhar científico da coisa. Mas aqui em casa, como boa neta de avó indígena que sou, ainda prefiro acreditar no seu poder mágico, e por isso continuo chamando de simpatia da cebola.

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