Uma semana pra lá de intensiva.

Imagina um centro de terapia, localizado em uma pequena cidade da Floresta Negra e que trabalha em conjunto fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional, foi nesse lugar que Adam e eu passamos a última semana. O lugar era idílico, em um pequeno vale, cercado de montanhas com as típicas árvores que compõem a Floresta Negra, em cujos topos branquinhos ainda era possível visualizar os resquícios do inverno, localiza-se o edifício que mistura a típica arquitetura da região, com um toques de modernidade. Apesar do cenário, estávamos um pouco apreensivos, afinal alguns pais e profissionais do centro de intervenção precoce que nos assessora haviam comentado que as atividades eram demasiado intensas para pais e crianças, fui preparada para aprender muito, mas também para dizer um basta caso tudo fosse muito cansativo para Adam.

Eu sempre fui uma pessoa de escutar conselhos e opiniões, principalmente quando vindo de pessoas mais velhas e experientes, mas também tenho procurado observar muito até que ponto a opinião alheia não está refletindo uma realidade que não é a nossa. Muitas das críticas ao trabalho do centro de terapia partiram de familiares que não acreditam muito em terapias e em estímulos ou de profissionais que veem uma criança com SD como pertencente a um grupo que segue um modelo pré-estabelecido de dificuldades e limitações. Lembro-me da primeira vez que estivemos com uma das tantas fonoaudiólogas que conhecemos aqui (até encontrar uma que de verdade acreditasse no potencial do Adam) e em menos de 5 minutos de consulta já nos havia feito uma lista de pontos débeis do pequeno em função da T21, sem ao menos observar que falta de concentração, por exemplo, não é uma característica dele. Quando falamos do Centro a ela, foi como se tivéssemos falado em fazer uma visita a outro planeta.  Esses profissionais e familiares ainda acreditam que a escola especial é o melhor lugar para crianças com síndrome de Down, pois creem que eles são diferentes e não têm condições de aprender como e com as outras crianças.

Foi nesse contexto que comecei a investigar e cada vez pensar mais e mais em proporcionar essa experiência a meu filho e por meio da ortodontista que está colocando a placa palatina em Adam, recebemos uma indicação para a semana intensiva e lá fomos.

A semana foi ótima. Trabalhando de uma forma holística, interagindo terapias tradicionais e os  métodos Bobath, Castilho Morales, Padovan e “Neurofeedback” todas as atividades foram mais uma brincadeira que uma terapia para Adam. Os profissionais envolvidos também mostraram muito conhecimento, experiência e feeling para dialogar com Adam, o que me deixou bastante tranquila, pois sabia que nada seria forçado. Além disso, o contato com outras crianças vindas de diferentes lugares da Alemanha propiciou muita interação social ao nosso pequeno e pude perceber como ele tem maturidade para estar e brincar em grupo, mas isso é assunto para outro post.

O saldo foi super positivo e a bagagem veio cheia de novas ideias e um roteiro de atividades que mistura o lúdico com o terapêutico, complementando o trabalho que as terapias semanais vêm fazendo sem forçá-lo em demasia, sem deixar que ele viva essa fase despreocupada e maravilhosa da infância.

E para terminar, separei algumas fotos dar uma pequena ideia dos trabalhos da semana.

 

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