Observando o ninho.

Clique no play para escutar a homenagem que pai e filho fizeram para a mamãe.

Música, piano e arranjos: H.B. Elias/ Letra: Adam Jacques Benedikt Aguiar e Silva  Elias

 

Quando eu ainda estava grávida do Adam, gostava de tomar um solzinho, lendo um livro (geralmente sobre maternidade) num dos tantos parques de Londres. Eram dias de calor e lembro-me da preguiça gostosa que me fazia parar a leitura de tempos em tempos e observar a natureza ao redor. Certo dia eu me sentei à sombra de uma árvore e observei a maravilhosa aventura de um passarinho que dava seus primeiros voos para fora do ninho. Creio que ele era precoce, pois enquanto os outros ainda disfrutavam da proteção do lar, esse tentava todo desajeitado sair pelo mundo. Imediatamente busquei a mãe com o olhar e a encontrei um pouco mais adiante, parada em um galho mais acima, observando  o ninho e o aventureiro.

Essa cena ficou na minha cabeça por muitos dias, mesmo ainda tendo meu pequeno na barriga comecei a pensar no dia em que ele também quisesse sair do ninho e aventurar-se pela vida, assim como eu fiz, voando para tão para longe dos meus, e confesso que sofri um pouco.  No dia em que ele chegou, trazendo-nos um mundo totalmente novo, de desafios, de novas perspectivas, de luta diária, de contemplação das pequenas conquistas e de aprendizado na arte de viver cada dia como se fosse único, um pensamento me veio à cabeça, será que ele poderá um dia voar para fora do ninho?

Hoje, alguns anos depois daquele maravilhoso momento em que vi meu filho nascer, além de ter a certeza de que o voo é possível, luto para que ele tenha a possibilidade de escolher como e para onde. Essa tem sido minha meta desde que ele deixou o ambiente cálido e seguro de minha barriga, garantir-lhe autonomia, mas sempre respeitando seus limites.  Talvez esse seja um dos maiores desafios de uma mãe cujo filho tem necessidades adicionais, encontrar o equilíbrio entre incentivar, mas não sobrecarregar, cuidar, mas não superproteger, lutar e mesmo com as dificuldades não esmorecer, pois a tendência é deixá-lo para sempre protegido no ninho.

Hoje, nesse dia tão especial dedicado às mães, não poderia deixar de pensar na minha, que soube manter o ninho, mesmo depois de seus filhos voarem para tão longe, é nela que me acolho cada vez que o medo e a insegurança querem se aproximar e é nela que penso cada vez que minha filha me chuta e meu filho dá seus pequenos voos para fora do ninho. Nesse ano, pela primeira vez, me sinto como aquela mamãe passarinho que conheci há tantos anos em um parque de Londres, me vejo em um galho mais acima, com um olho no ninho e outro no aventureiro que mais e mais se aventura para fora dele.

 

 

 

 

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