Quatro.

Desde que nossa Clarinha nasceu tenho planejado passar aqui e fazer um relato de como foi para Adam receber uma irmã. Não consegui até hoje. Das outras vezes em que tive que “abandonar”  o blog me sentia angustiada, afinal escrever, e na minha língua materna, é meu hobby preferido, um presente que dou a mim. Será que estou me anulando? Será que não estou me deixando de lado em função da família, dos filhos? Pensava. Dessa vez foi diferente, não senti angustia, nem culpa, nem a sensação de que me esqueci de fazer algo. Simplesmente decidi viver plenamente um momento tão maravilhoso, não só o de ser mãe outra vez, mas de acompanhar e guiar o nascimento de um irmão, que precisou de muito apoio no começo para saber lidar com um emaranhado de sentimentos novos. Foi muito importante perceber e entender o que ele estava sentindo e poder transmitir a minha empatia.

Hoje temos a compreensão de que quando decidimos criar uma família, automaticamente decidimos que nossas prioridades e desejos seriam diferentes. Definitivamente não somos as mesmas pessoas depois da chegada do Adam e da Clara, mas e deveríamos ser? Essa aprendizagem diária tem sido o presente que nossos filhos têm nos dado desde que nasceram e saber apreciá-la tem sido o presente que damos a eles.

Talvez vivemos o momento mais caótico de nossa vida em família, mas também um dos mais maravilhosos, pois se para nós o brilho está em celebrar uma nova vida pela segunda vez, para Adam há a mágica do descobrimento. Hoje, além desses novos saberes que nos chegam diariamente, celebramos quatro anos do início de nossa aventura como pais e filho. Quatro anos que se por um lado parece que iniciaram ontem, por outro nos da a sensação de que aprendemos como se fossem 50.

O quarto aniversário foi o primeiro de que lembro ter vivido e para Adam foi o primeiro em que ele deu-se conta do que é estar de aniversário. Percebi isso ao ver que havia um brilho especial no seu olhar quando pela manhã foi acordado pela família cantando-lhe parabéns (que ele sabe cantar muito bem). Depois voltei a ver esse brilho quando no café da manhã havia bolo de banana em vez de aveia. Passamos mais tempo na mesa e isso ele também percebeu. Papai o levou para nadar, um de seus hobbies preferidos. Ao meio-dia a mamãe preparou sua comida preferida e um bolo feito pela Oma apareceu como sobremesa. Definitivamente, deve ter pensado ele, hoje é um dia especial.

Acho que a mágica da vida está aí, transformar os pequenos gestos que damos e recebemos como formas de amor e se para mim escrever uma paragrafo é uma forma de eu amar-me, ver esse brilho nos olhos do meu filho também.

Parabéns meu amor, o dia de hoje foi especial sim, não apenas pelos intensos e maravilhosos anos vividos ao teu lado, como mãe e pai, mas também pelo menino que vimos nascer hoje, mais consciente de que todo mundo tem o seu dia, e hoje era o dele.

Amamos você.

Papai, Mamae e Clara

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