Amar, compreender, esperar e acreditar.

Uma das minhas maiores preocupações durante a gestação da Clara foi a de evitar que Adam sofresse com a chegada da irmã. Cresci escutando de minha família como a chegada de um irmão foi um processo doloroso para mim e queria evitar que o mesmo acontecesse com ele. Por isso passei os últimos meses lendo tudo que encontrava pela frente sobre o assunto, além de debatê-lo frequentemente em casa. Ao final de tudo chegamos à conclusão de que certos processos são impossíveis de serem evitados e que a melhor maneira de ajudar nosso pequeno a superar o ciúme da irmã seria dando muito amor e atenção. Esse tem sido nosso desafio desde que Clara nasceu e talvez por isso eu até hoje não tenha encontrado tempo para falar de sua chegada à nossa família.

Nossa pequena nasceu no dia 15 de agosto de 2014 às 18h20 da tarde, uma garota do verão, regida pelo planeta sol, como a mãe, que veio para empatar o quadro zodiacal da família, os garotos são de aquário e as meninas de leão (rs).

O primeiro encontro dessas duas pessoinhas mais importantes da minha vida foi mágico, como tem que ser o primeiro encontro entre dois irmãos. Ainda lembro a carinha curiosa ao ver aquele bebê nos braços da mamãe, aquela pessoa que todos diziam ser sua irmã. Conforme me orientaram trouxe-o para sentar-se ao meu lado na cama e lentamente coloquei sua irmã em seus braços, nesse momento pude perceber que além da curiosidade já havia ali muito amor.

Adam foi super carinhoso com a mana nos primeiros dias, mas quando percebeu que aquele bebê havia vindo para ficar, as cenas de ciúmes começaram. Recusa em comer, choro à toa, todos os dias nos ligavam da escola pedindo para buscá-lo, pois ele chorava desconsoladamente. Era de cortar o coração o olhar triste com que ele me olhava cada vez que chegava a casa.

Foram momentos difíceis, de um lado eu vivia aquela fase complicada dos primeiros dias de amamentação, pois além desse processo requerer  muita persistência e tranquilidade,  eu ainda carregava comigo o medo de não lograr êxito uma vez mais. De outro sentia que precisava dar mais e mais atenção a ele que não entendia porque aquele bebê tinha de estar sempre nos braços da mamãe.  Felizmente não esmorecemos, tanto o pai como eu procuramos inclui-lo em tudo e mais do que nunca ouvi-lo e respeitá-lo em seus momentos de crise. Houve dias em que apenas um abraço e um colo da mãe foram suficientes para ele sorrir e se acalmar, outros foi preciso um pouco mais de imaginação, incluindo passeios,  brincadeiras e muita psicologia.

Foi uma fase de muito aprendizado, de nós como indivíduos, como casal e como família e ao cabo de três meses a tempestade passou e a calmaria, se é que posso chamar o dia-a-dia de uma família com duas crianças pequenas  calmo, voltou a imperar. Adam aprendeu a dividir seu espaço com a irmã e em alguns momentos penso que ele já nem se lembra de como era nossa vida sem a presença dela, eu mesma  já não lembro mais.

Na semana passada nossa menininha entrou no mundo dos sólidos, paralelamente nosso menino começou a fazer birra para comer. Mais uma etapa se inicia, pensei. O interessante foi que necessitei uns três dias de manha para entender o que estava acontecendo, para perceber a relação entre um evento e outro e reagir. Resumindo, depois de mais de um ano de haver conquistado a independência de comer sozinho, novamente comecei a dar comida na boca, rezando, claro, para que essa fase passasse logo. E passou, dois dias depois, o irmão mais velho voltou e a hora de comer ganhou um ar mais animado, pois ele se diverte com a bagunça que a irmã faz ao comer.

E assim temos tecido nossa vida a oito mãos, há pontos mais apertados, outros mais folgados, há fases de linha reta e outras cheia de bordados, algumas linhas são coloridas, outras em preto e branco, mas em todo nosso trabalho temos percebido que não há diferença entre a reação de uma criança típica que recebe um irmão ou irmã e uma criança com SD, a diferença muitas vezes está na forma como muitas vezes superprotegemos um filho com deficiência, acreditando erroneamente que ela não saberá lidar emocionalmente com a situação. Amar, compreender, esperar e acreditar, esse tem sido nosso mote para seguir adiante e felizmente até agora temos obtido resultados positivos.

 

O Tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado…
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas…
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo…
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Mario Quintana

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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